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Alicates de unha merecem cuidados especiais


Enquanto em outros países as pessoas apenas utilizam cremes, sem uso de objetos cortantes, para retirada de cutícula, o hábito de fazer as unhas semanalmente e utilizar alicates já tomou conta dos brasileiros. Todavia, o excesso de zelo com as unhas nem sempre se estende à escolha e ao manuseio do material usado.
Uma pesquisa feita pela Secretaria da Saúde de São Paulo chamou atenção para o problema: uma em cada dez manicures ou pedicuros tem hepatite. Tudo isso porque, segundo o estudo, 100% desses profissionais não adotam medidas de biossegurança e higiene necessárias para evitar o contágio de doenças.
 
Segundo a infectologista Cristina da Cunha Hueb Barata de Oliveira, o ato de fazer unha traz riscos quanto à contaminação de qualquer das doenças que são transmitidas pelo sangue. Hoje, as mais debatidas são as hepatites virais – tipos B e C – e Aids.
Essa transmissão pode ocorrer tanto de clientes para as manicures como o inverso, assim como de cliente para cliente, por meio do instrumental utilizado pela profissional. Apesar do vírus da Aids “sobreviver” apenas 30 minutos no meio ambiente, alguns estudos mostram que o vírus da hepatite pode ter uma sobrevida de anos naquele instrumento cirúrgico. “Além disso, a transmissão do vírus da hepatite se dá com mais intensidade do que o da Aids, ou seja, é preciso menos quantidade de vírus da hepatite do que do HIV para a transmissão”, destaca a especialista.
 
Hoje, de acordo com Oliveira, já existe vacinas contra a Hepatite B, mas o mesmo não acontece com a do tipo C. Na maioria dos casos (80%) de hepatite C, a doença se cronifica e pode evoluir para cirrose e outras.
Cuidados. Desta forma, para prevenir o contágio de doenças, a médica sugere a interpretação de que o material das manicures são cirúrgicos, ou seja, que as pessoas deveriam ter com elas o mesmo cuidado que se tem com o instrumental hospitalar: limpeza, secagem e esterilização.
 
Todavia, por não haver ainda um processo definido para o cuidado com esses materiais, muitas vezes as manicures não o fazem corretamente. Conforme alerta Cristina Hueb, o certo seria que o instrumental fosse lavado com sabão enzimático – utilizado para materiais cirúrgicos –, porque ele quebra as enzimas e desestrutura o sangue.
Depois de lavar, é importante secar bem o instrumental, antes de colocá-lo na estufa. Afinal, de acordo com a médica, se o objeto estiver molhado ou com algum resíduo quando for colocado na estufa, ele não será esterilizado.
 
Por isso, para prevenir, o correto seria não só que os clientes utilizassem apenas seus instrumentos, como também que adotassem medidas para manter o material sempre limpo. “Mesmo que a pessoa use só o seu material, é importante que ela lave e desinfete sempre. Não é preciso colocá-lo na estufa, mas além de lavar com sabão específico, é importante friccionar três vezes com álcool, para evitar contaminação por outras bactérias que se proliferam no material”, informa a infectologista.
Quanto às lixas de pés, a médica esclarece que elas não transmitem doenças, mas, como a utilização de um sabonete único para cada pessoa é indicada, ter uma lixa de pé própria é sinal de higiene.
 
Lave as mãos. Cristina Hueb lembra que é raro ver as manicures lavando as mãos entre um atendimento e outro, mas as mãos, às vezes, têm um grande reservatório de bactérias e podem transmitir doenças.
Por isso, conforme alerta a médica, não basta que os materiais estejam bem cuidados, sendo necessário que os profissionais tenham consciência da importância de lavar as mãos ou utilizar luvas cirúrgicas, descartando-as após cada atendimento.